Conheça a Strider: startup mineira de tecnologia dedicada ao agronegócio

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Após avaliar empresas e os seus negócios, TIC em Foco selecionou a startup Strider como destaque para o mês de abril. A escolha deveu-se a vários fatores: a jornada empreendedora de um de seus fundadores, o Luiz Tângari (a Strider é a sua terceira tentativa de empreendedorismo; o sujeito não desiste nunca!); os aprendizados acumulados com os erros anteriores, levando a uma estratégia cuidadosa; a solução em si, inteligente, global e sustentável. O sistema da Strider identifica e aponta as áreas mais suscetíveis a pragas, otimizando o uso de defensivos agrícolas. O planeta agradece e o produtor rural economiza!

Dados da empresa

  • Nome: Strider
  • O que faz: Software para controle do manejo de pragas e aplicação de defensivos agrícolas.
  • Sócios: Luiz Tângari, Carlos Gonçalves e Gabriela Mendes
  • Funcionários: 40
  • Sede: Belo Horizonte
  • Início das atividades: final de 2013
  • Resultado alcançado: 1,2 milhão de hectares monitorados pagos para controle de pragas (o maior número do mundo), em 500 fazendas ativas, 5% delas no exterior: Estados Unidos, México, Bolívia e Austrália
  • Investimento inicial: R$ 500 mil + captação de U$ 4 milhões, em duas rodadas de negócios
  • Faturamento estimado (2016): R$ 25 milhões
  • Contato:contato@strider.ag

Strider e seus produtos

A Strider combina geolocalização e big data para ajudar o produtor rural a gastar menos com agrotóxicos. Luiz Tângari, cofundador e CEO da Strider, já havia passado por duas startups antes e buscava um negócio que atendesse a duas características: 1- ser um produto global, com potencial para atender necessidades em nível mundial. Uma fazenda no Brasil funciona praticamente do mesmo jeito que uma fazenda no Texas, na Austrália ou na Ucrânia, facilitando a exportação; e 2- atuar em uma área em que estar no Brasil significasse uma vantagem competitiva, como é o caso do agronegócio.

Segundo Tângari, o produtor rural enfrenta atualmente vários desafios que tendem a elevar os custos. Um desses desafios é o regime de chuvas cada vez mais imprevisível. Outro, diz respeito à proibição crescente do uso de defensivos baratos e tóxicos (e, apesar dos custos adicionais que a medida pode acarretar, o planeta, claro, agradece por isso).  Um terceiro fator, refere-se ao ambiente muito controlado requerido para o uso de fertilizantes para gerar sementes de alta performance. Esse controle também eleva bastante os custos de produção. E a Strider surge, neste contexto, justamente, com a intenção de reverter a tendência ascendente dos custos.

Se os dois primeiros fatores são por assim dizer inatacáveis, a Strider aposta as suas fichas para controle de custos no terceiro fator. A compra de produtos fitossanitários (ou seja, de defensivos agrícolas) é o item que mais pesa no orçamento de uma fazenda, explica Tângari. Na cultura de soja, o custo com defensivos equivale a um terço do valor total da produção, na cultura de algodão, metade. Na da cana-de-açúcar, um quarto do total tem a ver com o uso de defensivos.

O produto global que a Strider vislumbrou utiliza software e hardware para otimizar o monitoramento da lavoura e indicar para o produtor os locais em que deve aplicar o defensivo. O carro-chefe da startup, o Strider Crop Protection (SCP), é uma ferramenta que usa informação georreferenciada, imagens de satélite e sensores para realizar o controle fitossanitário em culturas de café, algodão, cana, soja ou frutas. Com a tecnologia, os focos de infestação nas plantações podem ser detectados em estágio inicial, quando ainda não afetam a produção e, por decorrência, a rentabilidade dos negócios.

O valor da licença de uso anual do SCP é calculado de acordo com o total de hectares e tem um tíquete médio de 50 mil reais. Segundo Tângari, nos últimos três anos, os clientes da Strider economizaram mais de 10% em insumos, o que equivale a 3% do custo geral de produção. Considerando que uma fazenda lucrativa tem, em geral, uma margem de lucro de 10%, os três pontos adicionais na margem são certamente bem-vindos.

No início deste ano, a Strider surgiu com um novo produto no mercado: o Space. Trata-se de uma solução de diagnóstico via satélite que aponta onde há perda de biomassa na área plantada, ou seja, o Space indica os locais onde a plantação está morrendo. Em breve, a Strider estará lançando um terceiro produto, o Tracker: uma ferramenta de rastreamento de ativos, que mostra a posição das máquinas no campo, em tempo real, permitindo uma ação mais integrada e otimizada delas.

Tângari faz menção aos desafios que enfrenta. O principal deles tem a ver com a abordagem comercial: é difícil explicar para o produtor rural que o software vale a pena e que se paga. “Nosso principal concorrente é o cara não usar nada e ficar do jeito que está”, diz. A Strider é líder de mercado, embora conte apenas com 1,2% do market share.

Fonte: http://projetodraft.com/strider-uma-agritech-que-cresce-18-ao-mes-vendendo-software-para-produtores-rurais/#sthash.FMlEcm3X.dpuf

O apoio de pesos pesados

Um dos fatores que permitiu o crescimento rápido da Strider foi o apoio obtido de investidores. Da Barn Investimentos, a empresa recebeu um aporte de R$ 5 milhões, para expandir o uso da solução por uma quantidade maior de hectares.

A Qualcomm Ventures, o braço de investimentos da Qualcomm Inc., foi outro investidor que decidiu apostar na startup brasileira. Dan Faccio, diretor da Qualcomm Ventures para a América Latina, explicou os motivos em artigo veiculado pela imprensa em outubro do ano passado. Segue um resumo:

“Mesmo antes de analisarmos as startups que buscam capital, tentamos identificar quais tendências e temas são relevantes, quais são os fatores de sucesso em novas indústrias e quais cadeias de valor são propensas a inovações.

A principal característica da Qualcomm é a sua habilidade para antecipar a evolução das tecnologias e aplicações de ponta. Mas vamos além de temas genéricos como “realidade virtual” ou “drones“, procurando investimentos que estejam associados a uma visão particular do mundo. Quais são os desafios que precisam ser superados no ramo da realidade virtual? Quando os drones forem uma realidade do mercado de massa, como afetarão o consumo e quem sairá ganhando com isso?

Uma das questões mais estratégicas que tentamos responder diz respeito aos dispositivos industriais conectados, a “Internet das Coisas Industrial” (IIoT). Devemos esperar que empresas da América Latina desenvolvam uma vantagem nesse setor? O continente tem um histórico de não possuir muitas vantagens estruturais ou tradicionais competitivas no desenvolvimento de sistemas industriais e hardware. Devemos esperar que ele o faça agora, nessa era de conectividade empresarial? Se sim, em quais áreas? A resposta para essas perguntas é que nos levou à agricultura.

A mecanização do início do século XX e a Revolução Verde das décadas de 1950 e 1960 foram grandes fatores por trás do estouro da produção agrícola global. Mas agora vemos que a agricultura começa a encarar uma nova mudança tecnológica que tem o potencial de ser ainda mais inovadora: a revolução digital.

Após as revoluções química e mecânica, a digital é particularmente bem-vinda no mercado do agronegócio. Ela tem o potencial de trazer uma nova onda de crescimento da produtividade, ao mesmo tempo que inaugura um novo nível de sustentabilidade. Uso mais eficiente da água, redução de agrotóxicos e vegetais mais saudáveis e saborosos, todos são objetivos que a tecnologia na agricultura pode ajudar a alcançar.

Enxergamos a América Latina – e, particularmente, o Brasil – como um terreno fértil para o desenvolvimento de empresas de tecnologia no agronegócio. O espaço atual e aquele em potencial para a agricultura no Brasil é impressionante. O país já é o maior produtor e exportador de açúcar, café e suco de laranja, além de ser o segundo maior em grãos de soja, entre outras colheitas. E ainda assim, uma grande parte das terras férteis do país são usadas como pastos, o que indica que terras aráveis podem ser expandidas sem impacto na vegetação nativa.

No entanto, a adoção de novas tecnologias por fazendeiros no Brasil (ou em qualquer outro lugar) não é trivial. Há similaridades com o que já vimos na introdução de tecnologia na indústria pesada, um setor bastante conservador, que exige a percepção de um retorno mais claro de investimento. Atuar na colheita de grãos de soja ou cana de açúcar é, naturalmente, uma atribuição industrial, onde algumas fazendas podem ter até ou mais que 15 mil acres. Isso significa que mesmo se uma fazenda possui uma plataforma central de software, ainda enfrenta um desafio enorme para coordenar, coletar dados e gerenciar atividades em tempo real por área tão expandida de terra.

É por isso que acreditamos que a agricultura e a IoT industrial podem ser uma combinação poderosa. Nossa tese é a de que a obtenção de dados de modo autônomo e as inovações em conectividade funcionarão como catalisadores para a adoção de tecnologia digital em fazendas de grande porte na América Latina e em nível global. Isso tem tudo a ver com o foco de investimento da Qualcomm Ventures no que chamamos de “tecnologia de fronteira”, que inclui a inteligência conectada, drones e outras inovações.

Buscando aprimorar e testar essa tese no mercado, não demorou muito para chegarmos até a Strider por meio de fontes diversas. Nós já tínhamos a empresa em nosso radar como uma startup relevante do setor de tecnologia para o agro no Brasil. Após uma rápida reunião com o seu fundador, vimos que encontramos o que procurávamos.

Uma das coisas que julgamos única da Strider foi o fato de a sua solução ter foco no aprimoramento da produtividade das fazendas por meio de uma combinação de hardware e software. Isso inclui tablets com aplicativos que permitem a coleta georreferenciada de dados sobre pragas e condições hídricas; sensores que rastreiam equipamentos e medem a condição de solo e de chuva; e terminais SaaS onde toda essa informação coletada pode ser associada a imagens via satélite e drones, visando a uma tomada rápida de decisão.

Uma das principais razões que nos levou a investir na Strider é o fato de ela estar no caminho para provar a nossa tese de que a IoT industrial possui um enorme potencial de desenvolvimento do agronegócio na América Latina. Acreditamos que investimentos como esse não só serão financeiramente bem-sucedidos sob a ótica de uma empresa de venture capital, mas também permitirá que a Qualcomm participe e contribua com a revolução que os dispositivos conectados farão na agricultura da América Latina e do mundo em geral. A conectividade móvel ampliada obtida através de células menores e o desenvolvimento continuado do 4G para o 5G serão alguns fatores para isso. A Qualcomm já é líder nessas tecnologias e esperamos que a Qualcomm Ventures seja uma participante ativa para desenvolver e fomentar o avanço deste ecossistema.”

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