IoT na Agricultura: respostas que as grandes empresas estão fornecendo para perguntas que os especialistas estão fazendo

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IOT - Internet of things

No dia 6 de dezembro, aconteceu na Embrapa Informática Agropecuária o evento IoT na Agricultura, contando com a participação do pesquisador português Pedro Maló e de representantes das empresas CPqD, IBM, John Deere, McKinsey e Bayer. Após as apresentações, os participantes responderam às questões apresentadas pelo público presente. Resumem-se, a seguir, algumas perguntas e respostas.

  1. Sistemas proprietários por soluções abertas?

A interoperabilidade tornou-se uma necessidade, uma questão de sobrevivência. O verdadeiro valor estará no insight.O insight requer abertura, cruzamento de dados e informações de fontes variadas. A tendência caminha em direção às soluções abertas.

  1. A interoperabilidade das soluções em TIC para agricultura ainda não existe. A infraestrutura no campo é inadequada. Os protocolos são de diferentes fabricantes. Sendo assim, por que começar a pensar IoT justamente no campo?

A tecnologia não é um obstáculo. Necessário é entender o problema do cliente para definir como atacá-lo, considerando as possibilidades existentes. O início deverá ser em pequenas doses e pequenos passos, focando em produtos e serviços viáveis. Projetos experimentais serão muito importantes, neste primeiro momento.

  1. Com a transformação digital em andamento, como fica a questão da colaboração e da concorrência entre empresas?

A colaboração entre empresas será uma questão de sobrevivência. Será um jeito possível (e necessário) para concorrer com as grandes americanas: Google, Amazon, Facebook e Apple. Como vencer essas concorrentes de peso? A resposta europeia foi juntar várias empresas em projetos em cooperação. A linha entre competidor e concorrente passará a ser cada vez mais tênue.

  1. Qual deve ser o papel do governo no novo contexto?

O Governo já pode ajudar muito não atrapalhando, não criar barreiras. Mas também, pode ser um aliado importante para várias ações que serão necessárias. Por exemplo, na formação de pessoas na área de ciência e tecnologia, no arranjo legal e regulamentações (o uso de frequências, emprego de drones, etc.) e no fomento à inovação de maior risco.

  1. Com o advento da Internet das Coisas, teremos ainda mais dados disponíveis para análises avançadas e oferta de novos serviços. As pequenas e médias empresas poderão utilizar os dados que estão sendo coletados pelas grandes do setor?

Por premissa, os dados pertencem aos clientes. Se eles permitirem o compartilhamento, é provável, sim, que as grandes empresas permitam o acesso de parceiras às bases existentes, já que a iniciativa poderia ampliar a oferta de serviços e soluções, gerando mais valor para o cliente.

  1. As empresas que estão buscando se posicionar como grandes players do setor de Internet das Coisas na Agricultura certamente terão muito interesse em ter acesso aos dados dos produtores rurais. É possível pensar em modelos de negócios que incluam retornos financeiros para os produtores interessados em compartilhar os seus dados?

Algumas empresas estão pensando em modelos de negócios baseados na troca dos dados por serviços. O produtor que permite o uso dos seus dados ganha pontos que podem ser trocados por produtos ou serviços.

Vale lembrar, no entanto, que a maior parte dos dados atualmente disponíveis são de baixo valor. A incerteza ainda é grande sobre o que poderá efetivamente ser útil. No momento, explora-se um poço de petróleo ainda de má qualidade.

A telemetria obtida através de máquinas e implementos agrícolas traz dados relevantes. Nas mãos do produtor, eles não poderão gerar todas as vantagens possíveis. Mas, por enquanto, os produtores ainda preferem manter os seus dados sob controle. Não vê interesse em compartilhá-los, pois ainda está voltado para as ineficiências internas. No futuro, após este primeiro momento em que o produtor está explorando os seus próprios dados, ele irá querer ir além, evoluindo para juntar as informações que possui com outras que não possui. Ou seja, é uma questão de tempo. Logo o próprio cliente terá interesse em colocar os seus dados em uma base comum.

  1. Como está sendo pensada a adoção da IoT por agricultores de perfil familiar? Eles terão condições de pagar pelas soluções de um grande player?

As cooperativas poderão desempenhar um papel importante, como facilitadores de uso das soluções em IoT pelos pequenos estabelecimentos rurais. Muitas empresas também irão se motivar para fazer aplicativos que se enquadrem na capacidade de investimento do pequeno produtor. Além disso, estão sendo desenvolvidos novos modelos de negócios baseados em serviços que podem baratear significativamente o acesso à tecnologia. Por exemplo, já existem prestadores de serviços que alugam implementos agrícolas, com o cliente pagando pelo uso. Há possibilidade de várias opções nesta direção, muitas oportunidades a serem melhor exploradas.

É provável, no entanto, que a transformação digital comece nos grandes produtores, com capacidade maior de investimento.

  1. O uso do Isobus, protocolo universal para comunicação eletrônica entre implementos, tratores e computadores, será logo uma realidade?

Não estamos ainda prontos para o Isobus. Serão feitas muitas coisas antes de ser possível uma adoção massiva do protocolo. Atualmente, para cada atividade que se faz, é necessário um implemento específico. Empresas grandes como a John Deere e a Case não teriam dificuldades de se adequar ao Isobus. Mas os pequenos fabricantes de implementos teriam problemas. Por esse motivo, a implementação do Isobus levará tempo. Existem outros temas a tratar e explorar antes de chegar lá.

  1. Como ficam as pessoas no cenário de transformação digital. Haverá emprego para todos?

Há um déficit de cientistas de dados e a escassez irá aumentar, pois as universidades ainda não estão atentas às novas necessidades. O cientista de dados é por natureza multidisciplinar, tem que possuir uma base estatística forte, visão para extrair valor dos dados, capacidade de gestão e um sexto sentido para saber onde buscar, o que explorar. A falta de profissionais com estas competências é um gargalo importante.

O problema, no entanto, é mais complexo, pois também faltam pessoas para dar suporte às redes que existem hoje, e que requerem do profissional além de conhecimento técnico, habilidades para tratar de modo adequado o cliente. Assim, apesar da necessidade de cientistas de dados, há um longo caminho anterior a ser trilhado. No Brasil, existem grandes oportunidades para a prestação de serviços e a experiência do cliente é muito ruim, os serviços são péssimos. As atividades de venda, e especialmente de pós-venda, incluindo suporte técnico e manutenção, deixam muito a desejar.

As tecnologias digitais visam ao aumento da produtividade. Deverão, sim, ter impacto sobre o emprego, mas trarão ganhos relevantes de produtividade que não podem ser ignorados. A questão da produtividade precisa ser o foco. Outros setores da economia irão criar empregos, novas oportunidades serão abertas para os recursos humanos excedentes. Terá de haver uma adaptação e os países precisam estar preparados para isso, pensando na formação e capacitação dos profissionais do futuro.

  1. Como envolver os institutos de ciência e tecnologia no processo de transformação digital?

Os ICTs precisam ser mais ágeis, superar a burocracia para trabalhar em colaboração com a iniciativa privada.

Há muitas oportunidades para os ICTs se envolverem em projetos de interesse da iniciativa privada especialmente em pesquisas mais práticas e específicas, de mais baixa duração e menor investimento.

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