Novas tecnologias a serviço da Saúde: alguns casos de uso

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Sensores, algoritmos, inteligência artificial, visão computacional, aprendizado de máquina entre outras tecnologias serão empregadas, cada vez mais frequentemente, na busca de resposta eficiente aos vários desafios existentes nas mais diferentes atividades. E a saúde, com certeza, é uma área que pode ser amplamente beneficiada com a adoção das novas tecnologias. A seguir, listam-se alguns casos de uso.

Eletroencefalografia na identificação da dor

Diagnosticar a dor em recém-nascidos é um grande desafio. Os pequenos costumam demonstrar que estão infelizes, desconfortáveis ou com fome de forma semelhante a que utilizam para indicar que estão com dor: expressões faciais, choros ou gritos incessantes, tornando difícil distinguir cada caso.

Cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido descobriram um modo de contornar essa dificuldade. Estão usando a eletroencefalografia (EEG) para identificar e quantificar padrões de atividade cerebral que possam estar associados à sensação de dor. Além de apontar os casos de dor, o método também permite avaliar se os analgésicos são eficazes durante procedimentos médicos dolorosos.

Reconhecimento facial na identificação da dor

Outra tecnologia que vem sendo utilizada para compreensão mais apurada do comportamento de recém-nascidos é o reconhecimento facial. Os estudos nessa direção envolvem o uso de inteligência artificial, aprendizado de máquinas e visão computacional. Através de reconhecimento facial, é possível identificar padrões de dor e outros indícios de desconforto nos pequenos.

Um exemplo nessa direção é o estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Sul da Flórida. A equipe inclui engenheiros especializados em software de reconhecimento facial e enfermeiros da unidade neonatal que desenvolveram, ao longo da sua história profissional, a capacidade de distinguir se os bebês estão com dor ou chorando por outro motivo.

A equipe usa câmeras para gravar os rostos dos bebês e capturar os sons que produzem antes, durante e após os vários procedimentos a que são submetidos. Esses dados são combinados com as leituras de oxigenação do cérebro tomadas usando espectroscopia de infravermelho próximo.

Em um estudo envolvendo 53 recém-nascidos, a tecnologia foi empregada para estimar o desconforto das crianças e os resultados foram comparados com as avaliações feitas por enfermeiros treinados. A comparação permitiu que a equipe ajustasse o sistema para obter melhores correlações e, assim, aprimorar a sua solução de monitoramento constante de crianças para sinais de dor e desconforto.

Eletroencefalografia na detecção de ataques epilépticos

O mapeamento das atividades cerebrais com ajuda da eletroencefalografia (EEG) também tem sido empregado para identificar e quantificar padrões de atividade cerebral visando à detecção prévia de ataques epilépticos.

A epilepsia aflige cerca de 1% da população mundial e é caracterizada pela ocorrência de convulsões espontâneas. Apesar de as crises não serem frequentes, os pacientes com epilepsia experimentam ansiedade constante em virtude da possibilidade da sua ocorrência. Em geral, as medicações contra as convulsões podem ser administradas em doses elevadas, mas muitos pacientes sofrem com os efeitos colaterais. Para uma parte da população (20 a 40%), os medicamentos não são eficazes. Mesmo após a remoção cirúrgica da epilepsia, muitos continuam a experimentar convulsões.

Os sistemas de previsão de crise baseados no mapeamento constante da atividade elétrica do cérebro (EEG) têm grande potencial para ajudar pessoas com epilepsia. Poderiam avisá-las antecipadamente sobre a chegada de uma nova crise, possibilitando que evitem atividades potencialmente perigosas nesta situação, como dirigir ou nadar, por exemplo. Os médicos poderiam controlar melhor a dosagem dos medicamentos e o momento de uso, reduzindo os seus efeitos adversos.

Com o intuito de gerar soluções que permitam prever a chegada de um ataque e com isto melhorar a qualidade de vida das pessoas que sofrem de epilepsia, o National Institute of Health (NINDS), a Epilepsy Foundation, and a American Epilepsy Society  lançaram um desafio, em 2014, cujo objetivo era demonstrar a existência e a classificação exata do estado cerebral prévio a uma convulsão em cães e seres humanos com histórico de epilepsia. Os participantes do desafio deveriam ensinar a máquina a distinguir entre a série de dados de atividade cerebral prévia a uma convulsão de uma série de dados referente a um período entre convulsões.

Em 2016, foi lançado um novo desafio, reunido antigos e novos parceiros. Enquanto o desafio de 2014 envolveu principalmente registros de longo prazo da atividade elétrica do cérebro de cães, o desafio de 2016 centrou-se na previsão de ataques epilépticos usando registros das atividades elétricas cerebrais de humanos.

Buscando, também, respostas eficazes para a previsão de ataques epilépticos, a startup brasileira Epistemic está desenvolvendo um dispositivo que consegue enviar alerta com 25 minutos de antecedência ao surto. Trata-se de um aparelho portátil a ser utilizado pelo paciente no seu dia a dia. A empresa foi premiada no DemoDay focado em startups de saúde no Brasil, promovido pela Berrini Ventures, que aconteceu no 1º de fevereiro de 2016.

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