Ranking 2016 das principais fornecedoras de TI para o governo

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Em 2016, conforme dados disponíveis no Portal da Transparência, o governo federal gastou R$ 2,8 bilhões com compras de empresas de software e serviços de TI. O montante equivaleu a 0,17% do total das aplicações diretas do governo no ano em questão. Embora esse percentual seja ligeiramente superior ao verificado em anos anteriores, a participação do setor de software e serviços de TI (SSTI) nas compras do governo, como se pode perceber, é muito baixa.

As compras públicas também têm pouca importância no faturamento das empresas do SSTI, respondendo por apenas 2,5% do total, em 2016. Quando se considera o universo de empresas atuantes no setor, a quantidade das que foram beneficiadas por compras governamentais também representa uma parcela muito pequena do todo: 1,2%.

O montante em compras concentra-se em algumas poucas favorecidas. As dez empresas de software e serviços de TI que mais venderam para o governo federal receberam R$ 2,0 bilhões (72,0% do total em vendas), em 2016. A seguir, apresentam-se essas empresas, um pouco da sua história, o tipo de produto e/ou serviço que vendem para o governo e a relação de ministérios, secretarias, agências e/ou órgãos governamentais que atenderam em 2016.

1 – EMPRESA DE TECNOLOGIA E INFORMAÇÕES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – DATAPREV

A campeã disparada em vendas para o governo é a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (DATAPREV). Em 2016, foi responsável por R$ 1,5 bilhão das compras governamentais que favoreceram o setor de software e serviços de TI, abocanhando expressivos 52,8% do montante total. A sua participação também foi elevada nos anos anteriores.

A DATAPREV é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Fazenda, com personalidade jurídica de direito privado, patrimônio próprio e autonomia administrativa e financeira. Possui sede em Brasília e estrutura para atendimento em todo o país, com unidades de desenvolvimento de sistemas em cinco estados (CE, PB, RN, RJ e SC) e data centers localizados no DF, RJ e SP. A empresa tem como missão fornecer soluções de tecnologia da informação e comunicação para a execução e o aprimoramento das políticas sociais do país, estando, portanto, desde a sua origem, relacionada com as demandas públicas por TI.

Parte considerável do valor recebido na rubrica compras diretas governamentais diz respeito a serviços prestados de gestão de cadastros e processamento de dados de benefícios previdenciários, benefícios de prestação continuada (BPC) e Renda Mensal Vitalícia (RMV) para o Instituto Nacional do Seguro Social. Mas a DATAPREV prestou serviços, também, a vários outros órgãos do governo, percorrendo um escopo amplo e muito diversificado de atividades relacionadas com o desenvolvimento de software e a prestação de serviços de TI. Pela sua natureza jurídica e atividade-fim, conforme inciso XVI do Artigo 24 da Lei 8666/93, é dispensada de licitação em compras públicas de prestação de serviços de informática.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
  • Ministério da Defesa
  • Ministério da Educação – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
  • Ministério da Fazenda – Receita Federal do Brasil; Procuradoria Geral da Fazenda Nacional
  • Ministério da Previdência Social
  • Ministério da Saúde – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
  • Ministério das Minas e Energia – Departamento Nacional de Produção Mineral
  • Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário
  • Ministério do Orçamento e Gestão
  • Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão – Ministério do Orçamento e Gestão
  • Ministério dos Transportes – Agência Nacional de Transportes Terrestres
  • Ministério do Trabalho – Fundo de Amparo ao Trabalhador; Ministério do Trabalho e Previdência Social; Superintendência Nacional de Previdência Complementar; Instituto Nacional do Seguro Social
  • Presidência da República – Advocacia Geral da União

Atividades em 2016:

  • Desenvolvimento de sistemas.
  • Modernização tecnológica dos sistemas em uso.
  • Processamento de dados e tratamento de informações.
  • Gestão dos sistemas informatizados.
  • Apoio operacional e suporte técnico em TI.
  • Integração de sistemas.
  • Serviços de hospegagem.
  • Manutenção de base de dados.
  • Suporte a infraestrutura de TI.

2- CONSÓRCIO TEPRO

Em 2016, o consórcio TEPRO recebeu R$ 180,7 milhões da conta aplicações diretas do Governo Federal, colocando-se na segunda posição no ranking das empresas de software e serviços de TI que mais venderam para o governo. Esteve presente na relação em anos anteriores, ocupando, também, posição de destaque. O consórcio foi contratado com dispensa de licitação, em virtude de atender ao Artigo 24, inciso XXVIII da Lei 8666/93: oferta de bens e serviços produzidos e prestados no país, envolvendo, cumulativamente, alta complexidade tecnológica e defesa nacional.

O Consórcio foi constituído para implementação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron) e proteção de estruturas estratégicas, tendo o Comando do Exército como cliente. É formado pela Savis Tecnologia e Sistemas S/A e pela OrbiSat Indústria e Aerolevantamento S/A, ambas controladas pela Embraer Defesa e Segurança (EDS).

A Savis foi criada para atuar na gestão integrada de projetos de monitoramento e controle de fronteiras, estruturas estratégicas e recursos naturais, de acordo com as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END). Seu objetivo é fazer frente às necessidades brasileiras no setor de defesa e segurança, estimulando o desenvolvimento tecnológico nacional, inclusive para posterior exportação, fortalecendo a indústria nacional e a balança comercial brasileira. Trata-se, portanto, tal como a DATAPREV, de uma empresa que surge vocacionada para o atendimento de demandas públicas.

A OrbiSat é uma empresa brasileira de base tecnológica, especializada em sensoriamento remoto e radares de vigilância aérea e terrestre, com centros tecnológicos e comerciais em Campinas (SP) e São José dos Campos (SP).

No final de 2012, o Exército Brasileiro assinou contrato com o Consórcio Tepro para implementação da primeira fase do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). Na época, o valor do negócio foi calculado em R$ 839 milhões. A fase inicial do Sisfron contempla o monitoramento de aproximadamente 650 quilômetros de fronteira terrestre na faixa que acompanha a divisa do Mato Grosso do Sul com o Paraguai e com a Bolívia. Na sua totalidade, o Sisfron compreende a vigilância e proteção das fronteiras terrestres do País em uma faixa de 16.886 quilômetros que separa o Brasil de 11 países vizinhos e se estende por dez estados e 27% do território nacional.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Defesa – Comando do Exército.

Atividades em 2016:

  • Aquisição de materiais permanentes necessários à implantação e integração dos Subsistemas de Sensoriamento e de Apoio à Decisão do Projeto Piloto do Sisfron.
  • Aquisição de materiais de consumo para atender necessidades do Sisfron.
  • Estudos e projetos de sistema integrado.

3- VERT SOLUÇÕES EM INFORMÁTICA LTDA.

Em 2016, a VERT Soluções em Informática recebeu R$ 75,2 milhões em aplicações diretas do governo, montante que lhe conferiu a terceira posição no ranking das principais favorecidas do SSTI pelas compras do governo federal. Trata-se, também, de uma antiga fornecedora, que vem ganhando cada vez mais espaço. Em 2015, faturou R$ 24,9 milhões com clientes governamentais, ficando em 10ª posição no ranking. Com vendas de R$ 32,5 milhões, a VERT ocupou a 12ª posição no ranking, em 2014.

A empresa surgiu em Brasília em 1997, sendo fundada por Sérgio Marques e Hiran Franco. Inicialmente, trabalhava nas áreas de armazenamento de dados e gerenciamento eletrônico de documentos . Ao longo dos anos, foi migrando para o modelo de integrador de sistemas, com foco em soluções da empresa. Em 2013, organizou o seu portfólio de produtos e serviços em quatro unidades de negócio: Infraestrutura de TI (segurança da informação; armazenamento, alta disponibilidade e proteção de dados; virtualização; rede de dados); Infraestrutura de comunicação (comunicação unificada; videomonitoramento; segurança crítica); Aplicativos de negócios (planejamento empresarial; análise de dados; conteúdo corporativo; desempenho do usuário); e serviços especializados (hospedagem em data center criado em 2016; serviços gerenciados; outsourcing; nuvem computacional; proteção de dados).

A empresa possui mais de duzentos funcionários e conta com mais de trezentos clientes atendidos em todo o território nacional. Mantém parceria com a EMC e a Symantec, entre outras gigantes do setor de TI. Em 2016, atendeu a vários ministérios, oferecendo um portfólio abrangente de produtos e serviços.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
  • Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
  • Ministério da Educação – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
  • Ministério da Integração Nacional
  • Ministério da Justiça – Conselho Administrativo de Defesa Econômica; Departamento de Polícia Federal; Defensoria Pública da União; Fundação Nacional do Índio
  • Ministério da Fazenda – Serviço Federal de Processamento de Dados
  • Ministério da Saúde – Fundo Nacional de Saúde
  • Ministério das Minas e Energia
  • Ministério do Desenvolvimento Agrário
  • Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – Instituto Nacional da Propriedade Industrial
  • Ministério dos Esportes
  • Ministério do Trabalho – Fundo de Amparo ao Trabalhador
  • Ministério dos Transportes – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes; Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A.
  • Ministério do Turismo – Instituto Brasileiro de Turismo
  • Presidência da República – Empresa Brasil de Comunicação S/A.

Atividades em 2016:

  • Venda de equipamentos.
  • Licença de software, manutenção evolutiva e atualização tecnológica.
  • Instalação, configuração, capacitação e consultoria especializada.
  • Suporte técnico remoto e presencial a usuários e operações de TI (software e equipamentos).
  • Suporte a infraestrutura em TI.

4- INTELIT PROCESSOS INTELIGENTES LTDA.

Com sede em Brasília, a Intelit Processos Inteligentes Ltda. é especializada em soluções de governança corporativa e de TI. Está no mercado desde 2006 e vem, ao longo dos anos, galgando posições no ranking das principais favorecidas por compras governamentais. Em 2016, recebeu R$ 49,6 milhões por serviços prestados ao governo federal, o que lhe rendeu a quarta posição no ranking. Valores elevados também foram pagos à empresa em 2015: R$ 47, 4 milhões.

Possui cerca de 1,3 mil colaboradores, carteira consolidada de clientes e milhões de reais em contratos assinados. Vem sendo apontada como a empresa de TIC que mais cresce no Distrito Federal. É parte da ISG Participações S.A., que inclui, também, as empresas CDIS, Vobys, Sófaturas e ISG Serviços.

No conjunto de atividades prestadas pela Intelit ao setor público, em 2016, chama a atenção a quantidade daquelas em que não há, aparentemente, nenhuma relação com tecnologia da informação. Assim, por exemplo, na descrição do pagamento de R$ 13 milhões recebidos da Fundação Universidade Federal Vale São Francisco, é mencionada a prestação de serviços continuados de motorista e de apoio técnico e administrativo para o Programa de Conservação da Fauna e Flora da Fundação. Nos quase R$ 12 milhões recebidos do Hospital de Ensino Dr. Washington A de Barros, consta a prestação de serviços continuados de apoio assistencial. Ou ainda, para o Ministério da Fazenda, registra-se a prestação de serviços de carga e descarga e de auxílio ao almoxarifado.

Alguns dos contratos da empresa foram com dispensa de licitação. Ela tem sido mencionada na imprensa em notícias envolvendo possíveis irregularidades em compras públicas. Em fevereiro de 2015, por exemplo, o reitor do Hospital Universitário (HU) da Univasf veio a público para explicar os motivos para a contratação emergencial da Intelit. Segundo o seu depoimento, a contratação aconteceu com o intuito de evitar a descontinuidade nos serviços administrativos, após a saída da antiga gestora do hospital.

No relatório da Secretaria de Controle Interno da Secretaria de Governo da Presidência da República (Ciset-Segov/PR), tendo como unidade auditada a Secretaria de Portos da Presidência da República (SEP/PR) referente ao exercício 2015, é feita menção ao Contrato número 33/2015 (processo 00045.004747/2015-13) para serviços de apoio administrativo fornecidos pela Intelit à SEP/PR, na modalidade dispensa de licitação. “As análises embasam evidências de terceirização irregular”, registra o relatório. “Em relação ao Contrato 33/2015, foi verificado, entre outras falhas e impropriedades, que os gastos com empregados terceirizados de apoio administrativo de nível superior e de nível médio custam mais ao órgão do que dispêndios com servidores, nos respectivos níveis, empossados em decorrência do concurso realizado em 2014” (item 101, página 19 do referido relatório).

No âmbito estadual, em abril de 2017, o deputado estadual Alan Barbiero (PSB) solicitou explicações do governo estadual de Tocantins sobre o Contrato 13/2017, firmado entre a Secretaria do Planejamento e Orçamento (Seplan) e a empresa Intelit. O parlamentar pediu que a Seplan justificasse o valor, que lhe parecia muito elevado, para os serviços a serem prestados e indicasse, também, a fonte de recursos para o pagamento. O contrato de R$ 14,1 milhões, na modalidade pregão eletrônico para registro de preços, previa a prestação de serviço de criação de nuvem privada para o Estado do Tocantins, com oferta em regime de locação.

A Intelit está presente em vários ministérios e órgãos do governo, realizando atividades abrangentes, incluindo, entre outras, desenvolvimento e licenciamento de software e prestação de serviços de TI.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Cultura – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
  • Ministério da Educação – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação; Fundação Universidade Federal do Piauí; Fundação Universidade Federal Vale São Francisco; Hospital de Ensino Dr. Washington A de Barros
  • Ministério da Fazenda – Superintendência de Administração do MF/DF; Superintendência de Administração do MF/PR; Serviço Federal de Processamento de Dados
  • Ministério da Justiça – Departamento de Polícia Rodoviária Federal
  • Ministério das Cidades
  • Ministério de Minas e Energia – Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL
  • Ministério dos Transportes
  • Presidência da República – Secretaria de Portos da Presidência da República; Controladoria Geral da União – CGU (Presidência da República); Fundo de Imprensa Nacional (Presidência da República)

Atividades em 2016:

  • Locação de pessoal: serviços de motorista; de apoio técnico e administrativo (operador de micro, secretária executiva, agente de portaria, almoxarife, copeiro, recepcionista, atendente, carga e descarga, etc.) e de apoio assistencial.
  • Definição de sistemática de implementação, monitoramento e controle de ações, bem como entrega, instalação, transferência de tecnologia e suporte técnico de ferramenta para monitoração, avaliação e controle da execução de PDTI.
  • Design e validação de processos de gestão; capacitação de pessoal.
  • Licenças de software para gestão de projetos, gerenciamento de serviços (ITSM), gestão de ativos (ITAM), incluindo instalação, suporte técnico e atualização.
  • Suporte técnico em TI com atividades de manutenção, configuração, instalação de software e outras. Atendimento a usuários de TIC.
  • Suporte infraestrutura de TI.

5- B2BR – BUSINESS TO BUSINESS INFORMÁTICA DO BRASIL LTDA.

A B2BR é uma antiga fornecedora de serviços para o governo federal. Em 2016, recebeu por serviços prestados ao governo federal R$ 48,9 milhões, ocupando a quinta posição no ranking das empresas do SSTI mais favorecidas por compras do governo federal. Mesma posição ocupada em 2015, quando vendeu R$ 47,0 milhões para o cliente público.

A empresa, que presta serviços de integração, faz parte do Grupo TBA. A origem do Grupo remonta a 1992, quando a empresária Cristina Boner criou a TBA Informática. A ascensão meteórica da TBA no mercado de informática aconteceu em virtude de um acordo com a Microsoft que fornecia à TBA exclusividade de representação da multinacional nos grandes contratos corporativos em Brasília. Em sete anos, o faturamento da empresa saltou de R$ 85 mil para cerca de R$ 100 milhões.

O Grupo TBA surge em 2001, passando a ser composto por duas empresas, a B2Br, focada na integração de sistemas, e a True Access Consulting, especialista em segurança da informação. Em setembro de 2007, o Grupo passou a ser comandado por um ex-presidente da Microsoft, Mauro Muratório Not. O novo CEO assumiu a posição com a missão de dobrar o faturamento da empresa e promover a abertura de capital no novo mercado da Bovespa.

Em 2008, já com duas empresas incorporadas (a antiga Comercial Mineira, atuante no mercado de nota fiscal eletrônica e Sped e atendimento de demandas por soluções customizadas, e a Transformare, especializada em documentação automatizada e modernização de sistemas legados), o Grupo TBA alcançou receita de R$ 304 milhões, alta de 38% em relação ao ano anterior.

Em novembro de 2009, o ex-secretário de Relações Institucionais do governo do Distrito Federal, Durval Barbosa, em depoimento ao Ministério Público, acusa o Grupo TBA de ter fornecido dinheiro de modo ilegal para a campanha de 2006 do então candidato ao governo do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e de ter arcado com o pagamento de despesas pessoais do governador.

Em matéria veiculada em 24 de dezembro de 2009, o Grupo TBA é acusado de pagamento de propina ao vice-governador Paulo Octávio, em troca de favores. O interesse seria um contrato de R$ 9,8 milhões assinado com dispensa de licitação. O Tribunal de Contas chegou a declarar ilegal o contrato, mas a empresa recorreu. A matéria também registra que o ganho da empresa crescera de modo significativo durante o governo de Arruda. Em relatório do Ministério Público de Contas do DF, foram listados 24 órgãos do governo com os quais a empresa B2BR mantinha contratos.

Em agosto de 2011, a Benner Sistemas, terceira maior fornecedora nacional de software de gestão empresarial e o Grupo TBA, anunciam a criação de uma joint-venture de R$ 240 milhões. A empresa resultante surgia para liderar a oferta de soluções em computação em nuvem e software como serviço. A Benner faria uma fusão com a Globalweb, braço de serviços de hospedagem, full outsourcing e gerenciamento de data centers do Grupo TBA. Juntas, as duas passariam a atuar sob o nome Globalweb Corp S.A. A marca Benner batizaria a unidade de negócios de aplicativos de gestão empresarial da nova companhia que teria Severino Benner, fundador da Benner, como CEO. No final de 2013, a sociedade entre o grupo TBA e a Benner é desfeita, com a Benner voltando a operar de forma independente.

Nova denúncia envolvendo o Grupo TBA vem a público em 2014. Desta vez, as suspeitas recaem sobre a participação da empresa B2BR nos consórcios vencedores de concessões do Poupa Tempo no governo de Sérgio Cabral, no Estado do Rio de Janeiro (consórcio Agiliza Rio), e no governo de Aécio Neves e Anastasia, no Estado de Minas Gerais (consórcio Minas Cidadão).

Mais recentemente, em agosto de 2016, é a vez da Globalweb aparecer na imprensa. A terceirizada de TI da empresa de telefonia Oi é acusada de não recolher FGTS de seus funcionários, aumentar descontos de alimentação e manter banco de horas irregular.

Em 2016, a B2BR atendeu clientes em vários ministérios, ofertando serviços variados de TI, incluindo desenvolvimento de software, suporte técnico, gestão e manutenção da infraestrutura computacional, etc.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; Agência Nacional de Telecomunicações
  • Ministério da Educação – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação; Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP
  • Ministério da Integração Nacional – Superintendência de Desenvolvimento do Centro-Oeste – SUDECO
  • Ministério da Justiça – Departamento de Polícia Federal; Departamento de Polícia Rodoviária; Departamento de Polícia Rodoviária Federal
  • Ministério das Relações Exteriores
  • Ministério de Minas e Energia – Agência Nacional do Petróleo – ANP
  • Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário
  • Presidência da República –  Advocacia Geral da União – AGU; Empresa Brasil de Comunicação S/A.; Agência Nacional de Aviação Civil

Atividades em 2016:

  • Desenvolvimento, manutenção e instalação de software.
  • Planejamento de contratações, arquitetura, gestão de configuração, administração de dados e mapeamento de processos.
  • Sustentação de rede e segurança; sustentação e operação da infraestrutura computacional.
  • Operação de Infraestrutura, Central de Serviços, Suporte a Estações de Trabalho, Suporte a Instalações Físicas e Instalação e Movimentação de Equipamentos e Pontos Lógicos e Elétricos e Lógicos.
  • Serviços de administração e de operação. Suporte e administração de rede de dados local, metropolitana e de longa distância.
  • Serviços de segurança da informação.
  • Suporte presencial de terceiro nível a servidores de banco de dados, plataformas para hospedagem de sistemas de informação WEB, servidores utilizados pelo ambiente de desenvolvimento e servidores de correio eletrônico.
  • Manutenção da infraestrutura, data center, segurança de redes e administração de banco de dados, com transferência de tecnologia.
  • Operação de infraestrutura, gerenciamento de redes, servidores, storage e archive e directory services.
  • Atendimento técnico ao usuário e auxílio em serviços técnicos de TI.

6- ORACLE DO BRASIL SISTEMAS LTDA.

Em 2016, a Oracle do Brasil vendeu para o governo federal R$ 45,3 milhões, valor próximo ao faturamento obtido com o governo em 2015, R$ 44,0 milhões, quando também ocupou a sexta posição no ranking.

Fundada em 1977, com sede nos Estados Unidos, a Oracle Corporation é uma das maiores empresas de tecnologia da informação do mundo, especializada no desenvolvimento e comercialização de hardware, software e banco de dados, atuando em mais de 140 países. A sua subsidiária brasileira, a Oracle do Brasil, foi criada em 1988 e conta atualmente com mais de dez mil clientes.

As contratações da Oracle pelo governo federal são realizadas na modalidade inexigível, com amparo no Artigo 25 da Lei 8666/93. Segundo o artigo, é inexigível a licitação nos casos em que ocorre inviabilidade de competição.

Em julho de 2015, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) abre investigação contra cartel de empresas de informática, após denúncia feita pelo Ministério da Educação. A Oracle do Brasil encontra-se na relação das 15 empresas investigadas. A suspeita de irregularidade remonta ao período 2000 a 2009. Segundo o Conselho, foram “identificados indícios robustos de que as empresas teriam supostamente fixado preços e combinado previamente condições e vantagens em licitações públicas e privadas, por meio especialmente da apresentação de propostas de cobertura e de abstenção de participação, tudo de forma a implementar a prévia definição de vencedores e a divisão de mercado entre eles acordada”.

Em 2016, nova denúncia vem à tona, desta vez no âmbito da Operação Lava Jato, envolvendo a participação da Oracle do Brasil em propinas em contrato de informática no valor de R$ 53 milhões, para o Banco do Brasil.

Em março de 2017, a imprensa veicula matéria informando que, segundo a Prefeitura de São Paulo, a Oracle devia R$ 327 milhões em impostos (ISS) para o município. Apesar disso, a Prefeitura mantinha com a empresa pelo menos três contratos de prestação de serviços, totalizando R$ 17,5 milhões. Segundo a Prefeitura, nas três situações contratuais, não houve concorrência, já que a Oracle era fornecedora exclusiva dos equipamentos de interesse (serviços de atualização de licenças de software e manutenção dos programas de computador Oracle).

Como deve tributos à Prefeitura, em tese, a Oracle não poderia ser contratada pelo município. No entanto, o nome da empresa não é mencionado no Cadin (Cadastro de Informativo Municipal), onde constam as pendências de pessoas físicas e jurídicas com a administração pública. Isso porque, de acordo com a Prefeitura, duas decisões judiciais obtidas pela empresa suspenderam a cobrança do crédito tributário. A Oracle nega a dívida e o processo encontra-se pendente de decisão final do tribunal.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  • Ministério da Defesa – Comando da Marinha; Comando do Exército; Fundo Naval
  • Ministério da Educação – Fundo de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES; Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação; Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais – INEP
  • Ministério da Fazenda – Serviço Federal de Processamento de Dados
  • Ministério da Justiça – Departamento de Polícia Federal
  • Ministério da Saúde – Agência Nacional de Vigilância Sanitária; Fundo Nacional de Saúde
  • Ministério de Minas e Energia
  • Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário
  • Ministério do Meio Ambiente – Agência Nacional de Águas – ANA
  • Presidência da República – Advocacia Geral da União

Atividades em 2016:

  • Manutenção, suporte técnico e atualização de licenças de uso de software Oracle.

7- INDRA BRASIL SOLUÇÕES E SERVIÇOS TECNOLÓGICOS S.A.

De origem espanhola, a Indra é líder mundial no desenvolvimento de soluções tecnológicas integrais em áreas como Defesa e Segurança, Transporte e Tráfego, Energia e Indústria, Telecomunicações e Mídia, Serviços Financeiros e Administração Pública e Saúde. No exercício de 2015, a multinacional registrou receitas de 2.850 milhões de euros, mantendo 37 mil profissionais e presença local em 46 países, com projetos em mais de 140 deles.

A Indra iniciou operações no Brasil em 1996. Atualmente, a Indra Brasil conta com mais de 7.500 profissionais. Com sede em São Paulo, tem escritórios em Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Fortaleza e Salvador, entre outras cidades; e mantém fábricas de software em Campinas e Goiânia. Sua atuação abrange diferentes segmentos.

Em colaboração com a empresa Esteio, assinou contratos para implantação de sistemas de pedágios em três trechos de autopista no Sul, além da instalação de soluções de gestão de tráfego metropolitano inteligente em Curitiba. Na área de energia, possui mais de quarenta clientes no Brasil. Para a AES Eletropaulo, por exemplo, desenvolveu um sistema integrado de mapeamento de perdas de energia

A empresa participou, também, do processo de modernização da navegação aérea brasileira, dotando vários aeroportos internacionais com tecnologias de controle de tráfego. É fornecedora líder para o Exército Brasileiro em comunicações via satélite e colabora com instituições como a Marinha, a Força Aérea e a Polícia Militar. Desenhou e implantou sistemas de controle inteligente de tráfego marítimo nos portos de Vitória e Santos.

Outro destaque da multinacional no mercado brasileiro é a oferta de projetos SAP. Na área de telecomunicações, assinou contrato com a Vivo para prestar serviços de teste de software e realizar a integração da operadora de telecomunicações e a GVT por meio de sistema ERP da SAP.

Em julho de 2011, a Indra adquiriu 100% das ações da goiana Politec por R$ 224 milhões. Na época, o faturamento da Politec chegava a R$ 400 milhões. Com esta aquisição, o Brasil passou a representar, em volume de negócios, o mais importante mercado internacional da Indra. Pela importância estratégica que o país passou a ter, a direção geral internacional da companhia passou a acontecer desde o seu escritório em São Paulo.

Com a aquisição da Politec, a Indra do Brasil pode oferecer a sua carteira de soluções à rede comercial e base de clientes da adquirida. Também se tornou capaz de ter acesso a projetos de maior envergadura, fortalecendo o seu potencial de atuação em vários segmentos do mercado brasileiro: segurança e defesa, transporte e tráfego.

Em 2012, a empresa registrou um crescimento superior a 25% no país, reforçando a sua presença em players importantes do mercado nacional. No setor financeiro, por exemplo, fechou contratos com a Caixa Econômica Federal que somaram mais de 90 milhões de reais.

Com sua base de clientes, tecnologia e networking, a Politec certamente deve ter contribuído para o ótimo e crescente desempenho da Indra no Brasil. Vale lembrar que antes da sua aquisição pela Indra, era uma das principais empresas de software e serviços de TI fornecedoras para o governo federal.

A Politec também deve ter trazido dores de cabeça. Isso porque esteve envolvida em várias suspeitas de irregularidade. Auditoria realizada em contrato de 2008 celebrado entre a Politec e a Secretaria da Fazenda, por exemplo, aponta irregularidades no que diz respeito ao pagamento de salários para funcionários terceirizados. A empresa também foi citada em esquema do mensalão do DEM, acusada de pagamento de propinas para a campanha do governador Arruda, do Distrito Federal, e teve seu nome ligado à investigação de formação de cartel por empresas de informática.

Também foi mencionada na operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato que apura supostas fraudes cometidas no Ministério do Planejamento em operações de crédito consignado a servidores federais. Segundo matéria publicada em 2016, a Politec seria um dos alvos preferenciais da Operação Custo Brasil, tendo recebido milhões da Esplanada dos Ministérios. Ainda de acordo com a matéria, a  Politec manteve contratos com diversos ministérios, agências reguladoras e autarquias, tendo embolsado, de 2003 a 2015, mais de R$ 600 milhões. A empresa é citada, ainda, em outros esquemas de corrupção: CPI dos Correios, CPI do Carlinhos Cachoeira, Operação Caixa de Pandora. Há suspeitas que tenha celebrado contratos irregulares com a Petrobras, BR Distribuidora, Caixa e BB.

As denúncias recaem, também, sobre Newton Alarcão, sócio do conglomerado de empresas Politec/Indra, presidente do Icipe (Instituto de Câncer Infantil e Pediatria Especializada) e vice-presidente da Abrace (entidade de assistência a jovens pacientes com câncer). Segundo denúncia do SindSaúde, veiculada em setembro de 2016, há uma série de suspeitas de irregularidade envolvendo essas instituições e seu dirigente.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
  • Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações – Agência Nacional de Telecomunicações
  • Ministério da Defesa – Fundo do Exército
  • Ministério da Educação – Fundação de Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
  • Ministério da Justiça – Departamento de Polícia Federal
  • Ministério dos Esportes

Atividades em 2016:

  • Desenvolvimento de software (sítios e portais) em regime de fábrica de software.
  • Desenvolvimento de sistemas
  • Manutenção corretiva, adaptativa e evolutiva de sistemas legados e portais.
  • Suporte técnico e manutenção em TI.
  • Suporte técnico especializado em infraestrutura de TI.

8- ALGAR TECNOLOGIA E CONSULTORIA S.A.

A Algar Tecnologia faz parte do grupo brasileiro Algar, que surgiu em Minas Gerais há mais de 50 anos, com atuação em todo território nacional, Argentina, Colômbia, Chile e México. No grupo, trabalham cerca de 23 mil associados servindo quase 2 milhões de clientes com soluções nas áreas de tecnologia da informação, telecomunicações, agronegócios, serviços e turismo.

Fundada em 1999, em Uberlândia (MG), a Algar Tecnologia passou por um processo de expansão em 2005, quando inaugurou em Campinas (SP) seu segundo contact center. Em 2008, com uma nova proposta de valor, passou a oferecer serviços de BPO, tecnologia da informação e consultoria, encerrando 2009 com receita líquida de R$ 270 milhões e 160 clientes. Em 2010, adquiriu a fábrica de software mineira Synos Technologies, acrescentando mais 4 clientes à sua base e previsão de crescimento de 30% em relação ao ano anterior. “Com a aquisição, além da expansão geográfica na região Sudeste, vamos ampliar nosso foco de atuação, com serviços de integração e de desenvolvimento de sistemas”, disse, na ocasião, Luis Alexandre Garcia, presidente executivo do grupo Algar. Na época, o presidente da Algar Tecnologia, José Antonio Fechio, destacou que, além da expansão geográfica, a fusão com a Synos iria acelerar os processos de serviços especializados nas verticais de saúde, educação, utilities, mídia e entretenimento.

Em 2013, a Algar Tecnologia incorpora parte da Engeset, empresa também do grupo Algar, que oferece soluções em infraestrutura de tecnologia da informação e telecomunicação. A partir daí, passa a oferecer soluções para processos de negócios, por meio de serviços de infraestrutura de TI (data center), serviços gerenciados de TIC (service desk, field service, serviços profissionais), aplicações de negócios (sustentação de negócios, fábrica de software e SAP), relacionamento com o cliente (contact center e cobrança) e mobilidade.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Educação – Fundação de Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES; Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
  • Ministério da Justiça – Departamento de Polícia Federal
  • Ministério das Relações Exteriores
  • Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário
  • Ministério do Meio Ambiente – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis
  • Ministério do Trabalho – Fundo de Amparo ao Trabalhador
  • Presidência da República – Controladoria Geral da União (CGU)

Atividades em 2016:

  • Aquisição de licenças de software
  • Instalação e suporte a aplicativos.
  • Suporte e administração de banco de dados.
  • Suporte ao ambiente de infraestrutura de rede.
  • Suporte técnico remoto e presencial (service desk).
  • Planejamento, implantação, operação e gestão de central de atendimento aos usuários de TI.
  • Operação, manutenção, administração e sustentação de serviços de infraestrutura em TI.
  • Atendimento e suporte operacional aos usuários dos sistemas informatizados, incluindo fornecimento de recursos humanos especializados, mobiliário, equipamentos de TIC, processos de trabalho, software de gerenciamento e service desk.
  • Assistência técnica em TI ao parque de equipamentos.

9- MEMORA PROCESSOS INOVADORES S/A

A Memora surgiu em 1991, voltada para serviços de tecnologia da informação e gestão e processos organizacionais. Além de prestar serviços especializados, também comercializa soluções integradas de parceiros (Oracle, BMC Software entre outros) e soluções próprias. A empresa participou do ranking das dez empresas de software e serviços de TI que mais venderam para o governo federal em anos anteriores, também. Em 2016, obteve R$ 29,2 milhões em vendas para o governo federal, o que a coloca em nono lugar no ranking das principais favorecidas por compras públicas.

Seu CEO, Jeovani Salomão, é presidente da Assespro Nacional e, antes disso, foi presidente do Sinfor – Sindicato da Indústria da Informação do Distrito Federal. Em reportagem de agosto de 2016 seu nome foi vinculado à Operação Lava Jato.

Na ocasião, a Operação Lava Jato investigava o pagamento de propinas em cinco contratos do Banco do Brasil de fornecimento de software e serviços de informática que ultrapassavam os R$ 150 milhões. Documentos obtidos pela Polícia Federal, em Curitiba, indicavam que a Credencial Construtora, Representações e Participações, “empresa de fachada” acusada de corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras e de repasses para o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, havia recebido, a título de “comissão”, percentuais de até 10% nos negócios fechados com o banco entre 2008 e 2010. As empresas de TI contratadas pelo banco no período em questão, Ação Informática Brasil, a PBTI Soluções e a CTIS Tecnologia, passaram a ser investigadas. Quebra de sigilo decretada por ordem do juiz federal Sérgio Moro, da Lava Jato, em Curitiba, identificou que as três transferiram, em 2009 e 2010, um total de R$ 8,1 milhões para a Credencial.

Em depoimentos prestados no dia 24 de junho, para a PF, Enio Issa e Maurício David Teixeira, dois ex-sócios da Ação, declararam que um representante da multinacional Oracle e um executivo da brasileira Memora Processos Inovadores orientaram que pagassem a “comissão” para a Credencial. “A única relação que a Ação teve com a Credencial foram os pagamentos efetuados a pedido do representante da Memora em virtude do procedimento licitatório do Banco do Brasil”, afirmou Maurício Teixeira, ex-vice-presidente da Ação e responsável pela área de contratos com governo, na época.

A Memora era uma das concorrentes da Ação no pregão realizado pelo Banco do Brasil – ambas como revendedoras de sistema de informática da Oracle. Na ocasião, por meio de nota divulgada pela assessoria de imprensa, a Memora Processos Inovadores informou que “nunca manteve qualquer relação comercial com a empresa Credencial” e que desconhecia “qualquer tipo de pedido de pagamento da empresa Ação, ou de qualquer outra empresa, para terceiros”.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
  • Ministério da Defesa – Comando do Exército
  • Ministério da Fazenda
  • Ministério da Saúde – Fundo Nacional de Saúde
  • Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário
  • Ministério dos Transportes – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes

Atividades em 2016:

  • Venda de hardware.
  • Licença de software.
  • Modelagem de processos de negócios, capacitação, fornecimento e implantação de solução para automação de gestão de processos.
  • Serviços de gestão de processos organizacionais e capacitação.
  • Diagnóstico, mapeamento, análise, modelagem e proposta de melhoria da cadeia de processos.
  • Manutenção/suporte técnico de software e treinamento no uso das soluções.

10- CPM BRAXIS S/A

A CPM Braxis S/A é uma antiga fornecedora do governo, sendo presença certa no ranking de empresas de software e serviços de TI que mais prestam serviços para os entes públicos. Em 2016, recebeu da conta aplicações diretas do governo federal R$ 28,7 milhões.

A Braxis IT Services foi criada em 2005, quando os fundadores do Banco Patrimônio e da Cotia Trading resolveram investir no mercado de tecnologia da informação. Ela consolidou duas empresas que já existiam, a Pimentel IT Services e a Spec IT Solutions. Pouco depois, em novembro de 2006, adquire a Unitech. Na época, a Braxis já mantinha operações em dez países por meio de clientes internacionais e de modo remoto, através de atendimento em inglês e espanhol, e tinha como meta expandir os serviços offshore nos EUA e na Península Ibérica. O faturamento externo representava 15% da sua receita total e a empresa planejava ampliar essa participação para 30%.

No início de 2007, quatro meses após a aquisição da Unitech, a Braxis passa a ter o controle da CPM, com 33% das suas ações. A CPM existia desde a época da reserva de mercado de informática. O seu faturamento líquido em 2006 foi de R$ 600,4 milhões. Apesar da receita expressiva, a empresa teve prejuízo no ano. A associação entre Braxis e CPM tinha como objetivo aproveitar as sinergias entre as duas empresas e ampliar o portfólio de clientes e serviços, tornando-se a maior empresa de serviços de tecnologia da informação da América Latina.

Em setembro de 2010, a francesa Capgemini adquire 55% das ações da CPM Braxis, por R$ 517 milhões, em acordo que garantia a opção de compra no futuro do restante da empresa brasileira. Com a aquisição, o Bradesco, maior cliente da CPM Braxis e também o maior acionista da companhia brasileira, passou a ter 20% da empresa. A holding Braxis passou a deter 12% da empresa; funcionários, 3% e os fundos de private equity (Gávea, Alothon e Infors), 11%. Pelo lado da CPM Braxis, o negócio foi fechado mais por necessidade do que por oportunidade, conforme fonte do mercado. A empresa vinha registrando prejuízos consecutivos e precisava sanar as suas dívidas. Em 2009, a receita da CPM Braxis foi de R$ 817 milhões e a estimativa para 2010 era de R$ 970 milhões. Líder de mercado na época da transação, a CPM Braxis contava com oito centros de desenvolvimento de software, possuía 200 clientes e 5,5 mil funcionários.

Pelo lado da Capgemini, a transação tinha o objetivo de fortalecer as atividades da multinacional no Brasil, ganhando espaço de empresas tais como IBM, Accenture, Tivit, TCS, Indra, etc. O grupo Capgemini já era uma potência em nível mundial e a aquisição da brasileira contribuiu para consolidar a sua hegemonia. Em 2011, reportou faturamento global de 9,7 bilhões de euros e postos de trabalho para 120 mil funcionários.

Em maio de 2012, a Caixa Econômica Federal adquire fatia de 22% da empresa CPM Braxis Capgemini. Em maio de 2016, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que a Caixa Econômica Federal deveria se desfazer da sua participação na subsidiária brasileira da francesa. Para o TCU, o negócio fechado em 2012, por R$ 321,66 milhões, foi uma tentativa de contratar serviços de TI sem licitação, fornecendo 90 dias para a Caixa se preparar para a saída. Segundo avaliação do TCU, a aquisição de participação acionária na empresa de TI aparentemente ocorreu com o propósito único de servir de pretexto para a prestação de serviços de TI à Caixa Econômica Federal sem a necessidade de licitação.

Na época do negócio, em 2012, a Caixa projetava R$ 309 milhões em contratos potenciais a serem transferidos para a parceria estratégica. O cálculo do TCU, considerando a participação da Caixa até 2015, chegava a valores bem superiores. “Somando-se os gastos iniciais em dois anos (sem considerar aditivos que tenham aumentado os valores), o total identificado nessa representação foi de R$ 704.347.366,71, sendo que R$ 518 milhões apenas na aquisição de um software de gestão (ERP) de R$ 518 milhões”.

Clientes em 2016:

  • Ministério da Educação – Fundação Coord. de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
  • Ministério da Justiça
  • Ministério da Saúde – Agência Nacional de Vigilância Sanitária
  • Ministério das Minas e Energia – Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL
  • Ministério do Meio Ambiente – Agência Nacional de Águas – ANA
  • Ministério dos Transportes – Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT
  • Ministério do Trabalho e Emprego – Fundo de Amparo ao Trabalhador
  • Presidência da República – Agência Nacional de Transportes Aquaviários – ANTAQ

 Atividades em 2016:

  • Desenvolvimento de aplicações em regime de fábrica de software.
  • Manutenção evolutiva, adaptativa e documentação de sistemas e aplicações web.
  • Operação e sustentação à infraestrutura de TI.
  • Planejamento, implantação, operação e gestão de service desk.
  • Suporte técnico na sede do cliente por meio de suporte telefônico e remoto (1º nível), com disponibilização de infraestrutura tecnológica, instalações físicas, método, processos de trabalho e pessoal técnico, suporte presencial (2º nível), suporte especializado (3º nível) e monitoria externa (NOC).
  • Suporte a usuários de sistemas e web nas modalidades remota e presencial.

Considerações finais

No início dos anos 2000, considerando as consultas feitas ao Portal da Transparência do Governo Federal, na categoria gastos diretos do governo com pessoas jurídicas com atividade econômica principal em software e serviços de TI, a DATAPREV dividia a posição top na lista de fornecedores do governo com o Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO), a maior empresa pública de prestação de serviços em TI do Brasil. O SERPRO já não consta mais na lista das top 10. Os repasses feitos à instituição são incluídos, agora, em outra categoria utilizada pelo Portal: gastos diretos do governo com entes governamentais. Em 2016, conforme o Portal da Transparência, os gastos diretos do governo com o ente público SERPRO foram de R$ 2,7 milhões.

Pelos repasses significativos ao SERPRO e pela participação elevada da DATAPREV no total das compras públicas feitas a pessoas jurídicas pode-se afirmar, com segurança, que o governo é o seu próprio principal (e significativo) fornecedor de TI. E estamos aqui, falando apenas dos recursos angariados por SERPRO e DATAPREV. Não estamos contabilizando a imensa quantidade de servidores públicos mantidos nos vários ministérios com o intuito de desenvolvimento in house de software e prestação de serviços de TI.

Nessa linha, poderíamos mencionar, por exemplo, o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (SUS), o DATASUS, vinculado ao Ministério da Saúde, que, desde 1991, exerce a função de controle e processamento das contas referentes à saúde. Cabe ao DATASUS, prover os órgãos do SUS de sistemas de informação e suporte de informática, necessários ao processo de planejamento, operação e controle. Em 25 anos de atuação, o departamento desenvolveu mais de duzentos sistemas, sendo o grande provedor de software para as secretarias estaduais e municipais de saúde, estando presente em todas as regiões do país por meio de regionais.

Se, como é mencionado pela literatura, o uso do poder de compra governamental pode se constituir em um mecanismo eficaz de fortalecimento das empresas locais de TI, conclui-se que, no caso do Brasil, o mecanismo teve um efeito marginal sobre o crescimento do setor de software e serviços de TI. Apesar desse efeito marginal, foi capaz de contribuir para os ganhos de um grupo relativamente pequeno e constante de empresas privadas. Nesse grupo seleto, existem firmas de capital nacional e capital estrangeiro, firmas com natureza jurídica limitada e sociedades anônimas e firmas que praticam negócios lícitos e firmas sobre as quais recaem suspeitas de irregularidade.

Nas compras do governo federal, o montante em contratos de prestação de serviços de TI (suporte técnico e desenvolvimento sob encomenda) é muito superior aos valores gastos com licenças de software e serviços relacionados. Essas licenças, em geral, são fornecidas por empresas de capital estrangeiro, em alguns casos através de contratos que as exime da necessidade de licitação, em virtude da inexistência de produtos concorrentes ou dos custos elevados envolvidos na migração de sistemas complexos.

Ver também:

2016: compras públicas de software e serviços de TI.

Software e serviços de TI nas compras do governo

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